Comida oriental preparada no Brasil é diferente? Por quê?

A comida oriental, mais especificamente a japonesa, chegou ao Brasil há pouco mais de um século e a forma como a conhecemos e a consumimos hoje é uma adaptação de anos de interação com a cultura brasileira.

No Japão, a culinária obedeceu — e ainda obedece por motivos de tradição —  uma série de regras de preservação e de preparação de alimentos que, hoje, conquistaram o mundo inteiro.

Mas se é uma culinária tão apreciada, por que aqui ela sofreu tantas modificações? É o que você vai descobrir a seguir.

As principais características da comida oriental

A comida japonesa está entre uma das preferidas dos brasileiros. A prova disso são os inúmeros restaurantes especializados que encontramos dessa culinária.

Os pratos, antes considerados exóticos e diferenciados, caíram no gosto das pessoas e se tornaram extremamente populares.

Apesar de sofrerem adaptações para agradar ainda mais o nosso paladar, algumas características permanecem inalteradas, como os preparos à base de peixe, geralmente crus; a utilização do arroz na maioria das composições; além dos molhos, como o shoyu e o teriyaki.

Hábitos alimentares dos orientais

A cozinha japonesa apresenta pratos típicos que variam de salgados a doces. Os feijões, por exemplo, são consumidos na forma de um doce muito popular chamado Anko.

Alguns pratos como a sopa de missô, lámen — um tipo de macarrão — e o sukiyaki — fatias de carne cozidas na manteiga com outros vegetais — são pratos pouco consumidos e conhecidos no Brasil, enquanto no Japão são rotineiramente.

Por outro lado o sushi, tão popular na culinária japonesa no Brasil, é um dos pratos que os japoneses raramente comem, deixando apenas para ocasiões especiais. Isso porque ele é considerado um alimento de celebração e, portanto, preparado apenas em momentos comemorativos.

Os peixes, por sua vez, são muito comuns no consumo diário, pois a maioria das cidades japonesas fica perto do mar.

Os principais produtos utilizados na alimentação japonesa são:

  • condimentos: óleo de soja, óleo de gergelim, pasta de soja, raiz forte, saquê e vinagre de arroz;
  • ingredientes: arroz japonês, peixes, ovas de peixe, carnes, macarrão, algas, soja, feijão azuki, gengibre, tofu, daikon (nabo), katsuobushi (conserva de carne com atum), panko (migalhas de pão), negi (tipo de cebolinha), yuzu (fruta típica), umeboshi (tipo de ameixa seca).

Pratos de ocasiões comemorativas

Além do sushi, que geralmente é consumido em feriados e datas comemorativas, há outros pratos somente preparados em eventos especiais.

No Ano Novo japonês (Oshogatsu), são consumidos pratos como o mochi, que é um bolo de arroz-doce e o toshikoshi-soba, que é um macarrão feito de trigo de cor cinza, além de bebidas especiais para brindar a chegada do novo ano.

No Obon (Dia de Todas as Almas), geralmente se consome pratos com frutas e legumes. Já no Hinamatsuri (Festival das Bonecas) e no Dia das Crianças, chamado de Kodomo No Hi, diferentes pratos são preparados para a garotada, como os bolinhos de arroz embrulhados em folhas de bambu, conhecidas como chimaki.

Chegada da culinária oriental no Brasil

Com as fortes ondas de imigração do início do século XX, muitos japoneses vieram ao Brasil em busca de melhores e mais dignas condições de vida. No entanto, quando chegaram ao nosso país, encontraram uma dieta totalmente diferente da que estavam acostumados.

Assim, a culinária japonesa no Brasil passou por uma série de adaptações para utilizar os ingredientes locais e, assim, se manter viva em sua tradição e cultura. Com isso, a comida japonesa também deixou de ser considerada um sabor exótico e passou a ser tratada como uma forma de alimentação mais saudável, conquistando diversos fãs e apreciadores.

Principais diferenças entre a comida oriental tradicional e a brasileira

É notável como o preparo e a montagens dos pratos chamam a atenção. Isso se deve não apenas pela beleza e variedade de cores e sabores em suas composições, mas também pelo equilíbrio e perfil saudável de cada elemento que as compõem.

Isso revela a cultura antiga desse povo, cujos habitantes são considerados os de vida mais longa e com melhor qualidade. Essas características se mantiveram mesmo com as adaptações dos ingredientes utilizados. Mas há algumas diferenças bem marcantes entre a comida japonesa tradicional e a preparada no Brasil.

Por exemplo, o arroz tradicionalmente usado por lá (gohan), é de outro tipo e preparado para ficar mais úmido e quase sem tempero. Já no Brasil, tende-se a colocar temperos como alho, cebola e sal no preparo do dia a dia — nesse ponto vale lembrar que quando estamos falando de culinária japonesa preparada no nosso país, o preparo do arroz para os pratos tradicionais se manteve.

No Japão, também é mais comum usar molho de soja em quantidades moderadas, enquanto no Brasil é em quantidades maiores. Outro ingrediente que é encontrado com mais frequência na comida japonesa e menos utilizado no nosso país é o wasabi ou o rábano.

Por aqui, também é mais comum consumir alguns tipos específicos de sushi, como os hossomakis e uramakis em versões “personalizadas” — esses sushis geralmente carregam ingredientes como queijo creme na receita, que estão completamente além do japonês tradicional.

Pratos orientais que só existem no Brasil

Conforme já dissemos aqui, muitos pratos orientais foram adaptados à culinária brasileira. Alguns preparos ficaram menos doces, o udon passou a ser preparada com mais molho de soja, o feijão-verde adicionado ao tempurá e novos vegetais introduzidos no sukiyaki. Outros exemplos dessas adaptações são:

  • temaki de salmão com cream cheese;
  • hot roll;
  • sushi com cream cheese, couve frita e tomate seco;
  • sushis doces com morangos, manga, banana e calda de chocolate;
  • sushi ou sashimi de peixes brasileiros de água doce, como a tilápia.

Tipos de restaurantes japoneses no Brasil

Os restaurantes japoneses no Brasil também possuem diferença entre eles. Assim, nem sempre um prato servido em um, será em outro por ser da mesma culinária. Veja os principais tipos.

  • tradicionais: tendem a manter ao máximo as características dos pratos japoneses originais, fazendo ajustes mínimos à cultura local;
  • contemporâneo: usa técnicas sofisticadas, apresentações e ingredientes que fazem uma releitura da culinária japonesa;
  • rodízios ou festivais: popularizou a culinária japonesa com ingredientes não tradicionais, como queijo creme, couve, frutas, geléia de morango, maracujá, nutella e goiaba, o que facilitou a adaptação do paladar brasileiro à comida oriental.

Boa parte da comida oriental japonesa ganhou o coração e o gosto da população brasileira e se misturou aos nossos costumes. Inclusive, alguns dos maiores festivais japoneses também são realizados aqui, como o famoso Bon Odori, que vai de julho a agosto — verão no Japão —, reproduzindo o festival Obon original japonês.

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